Sonhar para além da dor

by - agosto 18, 2015

Decidi escrever algo um pouco diferente do habitual. Eu nos últimos tempos tenho estado muito afastada do blog, e como já devem ter reparado sempre que escrevo um novo post peço desculpa pela distancia e explico que o motivo são as minhas dores. Por essa razão hoje vou contar-vos o que se tem passado.
Eu dês dos nove anos que sofro de dores nos pés. Ao longo dos anos fiz vários exames mas os médicos diziam sempre que eu não tinha nada, que era birrinha para chamar a atenção ou algo do género. Até que comecei a ir as urgências todos os dias e por fim acabei por conseguir uma consulta na ortopedia. Quando cheguei a consulta a medica assim que viu o meu primeiro exame disse que eu tinha um osteocondroma no pé direito, ou seja, uma espécie de tumor ósseo. Acabei por ser operada ao pé direito e mais tarde, mais precisamente o ano passado, ao pé esquerdo. 
No inicio a minha recuperação foi muito boa, mas em Novembro do ano passado comecei a voltar a ter muitas dores no corpo, a sentir um cansaço enorme, imensas dores de cabeça... Comecei por ir as urgências, mas devido ao meu historial de problemas de ansiedade assim que lá chegava o diagnostico era sempre o mesmo : Ataque de Pânico.
Com o passar do tempo a situação foi piorando, as dores eram cada vez piores e mais incapacitantes, acabando por ter que andar numa cadeira de rodas na escola e sempre que ia passear. Não eu não tenho nenhum problema muscular, eu consigo andar e movimentar-me, mas as dores fazem com que não aguente muito tempo em pé e que não consiga andar durante muito tempo.
Fui fazendo vários exames como cistografias, taques, ressonâncias, raios x, analises, entre outros. Os exames nunca diziam nada de relevante que justifica-se as minhas dores, pelo menos era o que pensava, e as analises mostraram que tinha tido a chamada doença do beijinho, sim aquela fase em que eu andava super cansada e sem forças, afinal não eram ataques de pânico... Apesar de eu me queixar de imensas dores, os médicos limitaram-se a encher-me de medicação ou a dizer que isto era para chamar a atenção. E pior ainda abandonaram-me sem qualquer prognostico.

Sim, numa fase em que o meu corpo me impedia de fazer coisas básicas como levantar-me da cama, os médicos limitaram-se a abandonar-me. Se foi difícil ? Sim, muito. Mas felizmente tenho uns super país que não desistiram de mim e partiram comigo na busca dum medico que quisesse lutar por mim. E acabei por encontrar esse medico no Instituto Português de Reumatologia. Um médico que me deu esperança, um medico que me fez perguntas serias e me olhou como uma paciente e não como uma criança a procura de atenção, um medico que acreditou em mim. Sim, acreditou em mim. Algo tão simples mas que para mim é super importante, porque afinal, já é doloroso o suficiente ter 16 anos e dum dia para o outro passar a depender de alguém para tudo. Ter 16 anos e de repente deixar de puder fazer desporto, de caminhar, de ir sair sem precisar de alguém para me levar... É tão doloroso ter dores a todo o momento, é tão doloroso quando até estar deitada doí, quando até dormir doí. É doloroso ter vontade de chorar a cada passo, porque cada passo doí mais que o anterior. É doloroso quando temos que gatinhar porque o nosso corpo não tem forças para andar. Mas pior ainda, é passar por tudo isto, e mesmo assim existirem médicos que não acreditam na nossa dor.
Mas voltando aos médicos. O super medico depois de duas consultas disse que queria que eu fosse vista por uma medica do instituto que está habituada a lidar com casos de adolescentes e crianças, para que ela desse a sua opinião. Porque apesar de ele ter algumas suspeitas não queria fazer prognósticos errados, porque a medicina não é feita de prognósticos. Quando fui a consulta com a medica, depois de todas aquelas perguntas e de ela me tocar em alguns pontos chave do corpo e de me pedir para fazer alguns movimentos, acabou por me dizer que nos joelhos eu tinha artrite e que nos resto do corpo ela estava desconfiada que ou é fibromialgia ou espondiloartrite. Mas como não quer dar-me um prognostico errado mandou-me fazer mais uns exames.

Agora só me falta fazê-los e esperar pelos resultados para atacar com a medicação certa. Sim eu sei que são doenças para a vida, mas acredito que com o tratamento certo e com muita força de vontade vou conseguir voltar a ter a minha vida de volta. Sim, talvez com algumas diferenças, mas acredito que vou voltar a correr pelos meus pés. Mas se não conseguir correr posso sempre nadar.
Resumidamente estes foram os acontecimentos dos últimos meses. Sei que existem doenças piores e situações piores, mas a verdade é que houve um período de habituação a toda esta situação, ao facto de não conseguir andar, ao facto de passar horas deitada cheia de dores, ao facto de não conseguir concentrar-me em nada... foi muita coisa ao mesmo tempo, e pior ainda foi a revolta por ter médicos que não acreditaram em mim e nas minhas dores
, médicos que me ignoraram e abandonaram, médicos que não lutaram por encontrar um prognostico, médicos que duvidaram da minha dor.
Foi difícil, muito difícil mesmo, mas o que vale é que encontrei médicos fantásticos que lutam comigo para encontrar soluções, que encontrei dentro de mim uma força enorme e que criei com os meus pais e o meu irmão um laço ainda mais forte. Porque sem eles eu não teria forças para sair da cama, sem eles eu não conseguiria sair a rua e passear. Sem eles eu não teria encontrado os Super médicos para ajudar a minha Super Família.
Espero que agora percebam a minha distancia, mas muitas vezes por muita vontade que tenho o copo não me deixa trabalhar.Prometo que vou voltar a escrever-vos mais e que em breve vou revelar algumas novidades. Mas muito obrigada por permanecerem aqui apesar de toda a minha distancia.


You May Also Like

0 comentários