O que ela nunca disse

by - dezembro 27, 2017

Era uma vez uma menina que não sabia o que era o amor. Que não sabia o que era amar, ou muito menos o que era ser amada. Que não entendia sequer o que era namorar ou o que sentia quando duas pessoas se beijavam. Que nunca tinha tido colo nos braços de alguém, nem morada em outro coração. Ate que um dia tudo mudou. Ate que um dia, sem perceber como nem porque, tocou nos lábios de um príncipe, se envolveu no seu abraço , fechou os olhos e se entregou ao... ao tão famoso AMOR.
Mas por falta de conhecimento, demorou muito tempo a perceber que as borboletas na barriga, o os nos estomago e o acelarar do coração eram sinal de amor, porque ela não fazia ideia do que isso era. Demorou muito tempo a aceitar ouvir um amo-te, e ainda mais a ter coragem de o dizer. Demorou uma eternidade a perceber que aceitar o colo, que chorar sem medo no ombro dele ou que pedir ajuda não eram sinais de fraqueza. Demorou a perceber que aceitar que ele a guiasse, que lhe comprasse uma prenda ou pagasse um jantar não era sinal que ela não era autonoma, mas apenas que estava a deixa-lo demonstrar o seu amor. Demorou imenso a aceitar que ele poderia olhar para si, olhar para o seu corpo ou muito menos toca-lo sem sentir repugnancia, sem destestar, sem fugir...porque se ela queria fugir do proprio corpo, porque haveria ele de querer te-lo por perto? porque haveria ele de querer olha-lo ou toca-lo? porque haveria ele de não querer fugir?
Demorou muito tempo a perceber que os seus sintomas eram diagnostico de amor, mas quando o percebeu, transbordou. Amou com todas as forças. 
Errou e magoou, mas pediu desculpa por tudo e mudou. Procurou sempre melhorar tudo aquilo que o magoava ou tudo aquilo que ela não fazia mas que ele sonhava. Lutou por "nos" mesmo quando tudo parecia dar errado, mesmo quando estava magoada não quis desistir, quis lutar, lutar por aquilo que mantinha viva. 
É verdade que chegou a afasta-lo, a manda-lo embora, a acabar com "nos", mas nunca por falta de amor ou falta de vontade. NO inicio afastou-o porque ela não sabia o que fazer, não sabia como agir e não sabia como demonstrar todo o amor que sentia, tinha tanto medo de se entregar, tanto medo de sentir, que o afastou. E mais tarde, quando esteve doente, sem força para andar, com tratamentos químicos que a destruíam, afestoou porque não tinha força, porque não conseguia andar quanto mais semear uma relação, porque não conseguia parar de chorar de tantas dores que não tinha força por "nos", mas acima de tudo, porque se sentia mis um peso, mais uma pedra no sapato, mais um problema, do que uma rapariga para ter como namorada. Estava demasiado dependente dos outros, não podia pedi-lhe que abdicasse da sua adolescencia para passar os dias junto a ela numa cama de onde ela mal conseguia sair, não podia pedir que ele abdicasse de se divertir, para lhe segurar o cabelo enquanto ela vomitava devido a quimio, não lhe podia pedir que ficasse ao lado dela, e que abdicasse de tanta coisa que ele podia viver la fora. Ela precisava dela, mais do que em qualquer outro momento. Ela sentia a sua falta, precisava do seu abraço, dos seus olhos, do seu sorriso. Ela precisava dele ao lado dela, precisava da força que ele lhe transimite só por estar por perto, mas ela não podia te-lo. Não lhe podia pedir que ficasse, e por isso preferiu que ele a odiasse.
Mesmo sendo focada nos estudos, preferia abdicar de uma horas para falar com ele e depois estudar pela noite dentro, mesmo que ele não soubesse. Quando vinha passar o fim de semana  casa, mesmo que viesse cheia de coisas para estudar, muitas coisas deixava para depois, só para estar com ele, mesmo que ele não reparasse. Mesmo estando tão longe dele quanto da família, dedicava-lhe mais tempo quando estava em casa do que a eles, mesmo que ele não notasse. Mesmo estando sozinha numa cidade distante, sem ninguém, abdicava de tudo, apenas para falar com ele, e isso nem lhe custava, porque para ela, ele é o essencial para ser feliz. 
Ele é o mudo dela, ela mudou tanto por ele. Ele é o mundo dela, ela lutou tanto por ele. Ele é o mundo dela, ela lutou tanto por "nos". Ele é o mundo dela, e ela sonhou tanto. Ele é o mundo dela, e ela aprendeu a amar, a deixar-se ser cuidada, a ser abraçada, acarinhada....e mais que tudo, aprendeu a ser amada. Ele é o mundo dela, mas ela já não é o mundo dele.

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